

![]() Um canto… // AEIOU Poético 4
A. Ao despertar do dia um galo estava a cantar E. E seu lindo canto fez alguém despertar I. Intenso e agradável era o canto, que repousei O. Onde minha alma estava não sei U. Urgentemente corri e busquei
I. Imensa alegria senti, quando minha alma encontrou meu corpo e acordei…
Iza Engel
AEIOU Poético é uma criação da Poetisa ESTHER LESSA
#MEMORIAL Recantista#
# M R # Homenagem ao poeta imortal: MARCELINO RODRIGUEZ RODRIGUEZ
Nós, os escritores NÓS, OS ESCRITORES
Por Marcelino Rodriguez
Dia desses uma amiga perguntou-me se os escritores são muito diferentes das demais pessoas. Adoraria dizer que não, mas engoli em seco a pergunta. Minha experiência como autor praticamente independente, numa solidão moral e intelectual que acredito poucos homens terão sentido, com uma sensibilidade que se choca ao ver o contra-senso moral e estético que se debate o mundo, com preocupações que parece que só a mim tocam, tentando falar a estranha linguagem do amor e da fraternidade no mundo hostil, confesso sim que ao menos os escritores por vocação de alma, e não aqueles que possuem a habilidade de escrever somente, são bem estranhos nesse mundo. Leva-se os autores vocacionados moralmente uma vida de exílio. Quantas vezes pensei e penso nunca mais escrever... viver uma outra vida; a verdade é interesse de poucos. A bondade nesse mundo é quase um milagre. E a solidão do entorno? Quem saberá o que é um coração de poeta? Quantas vezes bateu em minha porta a pobreza, o perigo, a traição e o medo do naufrágio? Quantas vezes a tristeza foi maior que a vida? Quantas vezes só eu via a flor, a pedra ou a criança jogada? Quantas vezes calei-me ou escondi-me de vergonha? Até que como São Francisco chega-se uma hora que se desiste de ser compreendido e as palavras não bastam. Os escritores são diferentes sim. Tem que trabalhar com o abstrato e a incompreensão. O cronista Antonio Caetano resumiu assim: "eu costumo dizer que o escritor escreve para os mortos e os não-nascidos. Seu diálogo com a contemporaneidade é fortuito, contingente, circunstancial. Seus contemporâneos mais o atrapalham do que estimulam. Na melhor das hipóteses, o distraem. Antes de tudo, o escritor inventa a si mesmo com sua literatura, gravíssima missão que nada tem a ver com essa ilusão chamada história, cultura e outras bobagens a que se atêm os homens para acomodar seus rancores e frustrações." Claro que numa crônica com esse assunto, eu não pretendo ser original. O fato é que meus conceitos não servem de modelo para o mundo destituído de valores; honestidade, caráter , o exercício da bondade e da fraternidade que são, a meu ver, indissociáveis dos vocacionados, os tornam quase seres fantásticos no mundo de hoje. A tristeza é grande e a solidão imensa, a sobrevivência sempre em suspense. Não poucas vezes sente-se a vontade de partir. Onde pode se refugiar uma alma sensível senão em si mesma? Meu pai era pintor de paredes. Lembro-me que certa vez deu-me uma gaiola para pintar. Oxala eu tivesse ali descoberto outro talento! Chego a emocionar-me ao pensar nessa possibilidade. De que vale ser músico num planeta surdo? O Rabino Nilton Bonder disse que escritores, poetas e intelectuais, por viverem num mundo irresponsável, sabem que o melhor lugar pra eles é o exílio, esse país imenso. Houve tempo que sonhei com ser reconhecido, ser um grande homem. Um ser mitológico. Lembro-me que o revisor de meu primeiro livro olhou-me com uma cara cheia de compaixão e disse: Boa Sorte, poeta! Na época eu todo confiante perguntei-lhe: "porque Voce está me dizendo isso dessa maneira? Vc não acredita na literatura? Ele disse: o caso meu caro, é que as pessoas querem usufruir do talento, mas não querem pagar por ele. Disse-me isso há exatos dez anos atrás e hoje entendo bem o que ele quis dizer. Um dia só espero esquecer de tudo, assim como ser esquecido. Um eterno esquecimento recíproco. Sim, minha cara amiga, escritores são diferentes. Como diz Pessoa "quem tem alma não tem calma". Espero não tê-la decepcionado com minha crônica melancólica.
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Marcelino Rodriguez Rodriguez Enviado por Marcelino Rodriguez Rodriguez em 10/03/2006 Código do texto: T121480 Iza Engel
Enviado por Iza Engel em 22/03/2026
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